quinta-feira, 17 de março de 2011

Bem-vindos a Bolha II

No último post comentei sobre uma bolha que costuma prender alguns crentes nas igrejas. Neste, irei comentar um pouco sobre como ela funciona e algumas das principais causas dela.
Imagine uma pessoa que acaba de se converter. Esta pessoa vê que tinha muitas coisas em sua vida que eram nocivas a ela. Então vai buscar se livrar delas. E do outro lado, vem a igreja dizendo que tudo que é do "mundo" é pecaminoso e mal, não existe nada de bom na humanidade, que a pessoa deve buscar só o que é de Jesus. Nosso amigo com certeza ira se livrar de todos os seus CD's, suas revistas, livros e qualquer coisa que possa ter que não seja ligada a Deus. Irá trocar seus CD's por CD's gospel, seus livros de pensadores por livros cristãos.
Não há problema algum em alguém gostar de música "gospel", querer ler livros teológicos, revistas cristãs ou coisas do tipo, não é isso que critico, mas sim o que geralmente ocorre: esse pessoal abandona toda e qualquer forma de cultura não "gospel" e adota uma cultura dita como certa, sem dar devida atenção a seu conteúdo a luz da bíblia, ou da sua qualidade. Aí que surgem tantos "rebolations da fé".
Muitas vezes, esse tipo de comportamento é gerado através de uma tentativa de defesa, pois há muitas coisas na sociedade que nos levam facilmente a cair, sem dúvida alguma, mas isso gera um efeito colateral: as pessoas ficam isoladas do mundo, fechadas dentro da bolha da igreja. Só transitam por ambientes "puros", só convivem com "irmãos", só consomem coisas de Jesus e só falam a língua da igreja.
O grande problema desta situação é que a igreja perde sua principal função: ser sal e luz no mundo, levar a palavra a toda criatura, pois está fechada em seu próprio mundo e com certeza, o mundo de uma igreja "bitolada" não atrai nenhum não cristãos para o seu interior. Porque deixar sua liberdade de fazer o que quer para entrar numa cadeia de fé e dogmas?
Continuamos discorrendo sobre esse tema no próximo texto.

terça-feira, 8 de março de 2011

Bem-Vindos à Bolha I

Achei a data de hoje extremamente propícia à postagem deste texto no qual venho pensando desde o ano passado, após ver um pacote de fraldas do Smilinguido. Geralmente no carnaval, as igrejas costumam fazer acampamentos (ou parte delas, como jovens, adolescentes). Acho que essa data é bem muito boa, por ser uma época do ano em que as pessoas geralmente estão fechadas a ouvir o evangélio. Penso assim muito por causa de minha visão racional ao extremo.
No carnaval buscamos nos fechar das coisas que são comuns dessa festa em busca de um relacionamento maior com os irmãos e com Deus. Acho muito bom e legal ter uma época para isso e acho o carnaval a época mais propícia a isso, mas não desse ponto que venho tratar em especial.
Estava eu na casa da minha vó no dia 31 de dezembro, quando ela me pede para comprar umas coisas na vendinha perto da casa dela. Fui e enquanto procura os produtos, me deparei com um pacote de fraldas do Smi. Essa visão desencadeou em mim um sentimento e uma reflexão que estava adormecida em mim.
Quando era pequeno, o Smilinguido era um personagem evangelístico, que aparecia em materiais com esta função. Gostava muito dele, mas depois de alguns anos ele foi refletindo para mim algo que acontecia com a fé: foi ficando comercial. Nossa formigamiga não estava mais estampando folhetos ou adesivos evangelísticos apenas, mas havia se tornado uma marca de "crente". É copo, caneca, toalha, caderno e por aí vai. Não estou querendo dizer que você não pode no seu caderno mostrar que é cristãos, não intendam errado. Mas cada vez menos ele cumpria sua função de evangelizar e tornou-se um símbolo de "crente".
Muitas vezes fazemos isso com as coisas da fé, como músicas, livros, revistas, roupas e tantas outras. É muito comum ver pessoas presas à fé. Isto mesmo, presas. Totalmente o oposto do que Jesus queria para nós. Muitos são, por suas igrejas, aprisionados numa "bolha" de proteção, que acaba alienando-os.
Como essa bolha funciona veremos no próximo texto. Não percam.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Uma escolha

  Depois de muuuuuito tempo volto a postar aqui e vim falar sobre arte de novo. Sempre que vejo uma obra artística algo mexe comigo. Hoje estava assistindo ao musical Nine. É um filme que retrata um famoso diretor de cinema italiano passando por uma crise, sem saber como fazer seu novo filme.
  Mas não vou ficar falando do filme. O que realmente quero falar sobre ele é uma frase que Guido (protagonista) diz ao perceber para onde havia levado sua vida. A frase é a seguinte: por causa de uma escolha errada no caminho, a gente erra... todas as demais... e acaba longe de onde de onde queria estar e perdido.
  Fiquei pensando muito nisso e me lembrei de uma parábola "matemática" (que coisa de nerd mesmo) sobre a vida cristã: não desvie do caminho nem um grau para os lados, pois agora você parece perto, mas depois de muito caminhar, verá o quão longe o caminho ficou de você.
  Caso alguém não tenha entendido, faça uma reta numa folha e depois faça outra com uma abertura de ângulo pequena. Depois compare a distância no começo das linhas com a do final. Fico pensando em como geralmente desconsideramos coisas que julgamos pequenas, às vezes uma escolha simples e quando nos tocamos estamos na lama.
  Aí você pensa: cara, não posso errar nas escolhas, porque senão to "lascado"! Realmente algumas escolhas são assim mesmo, como puxa um gatilho por exemplo, pode não ter volta, mas nem tudo na vida é tão radical. É justamente pra essas situações que chamo a atenção, pois você não vai sair matando pessoas por aí, pois é algo bem grave, mas outras coisas relevamos, como por exemplo, comprar um produto pirata. Achamos que é algo pequeno, mas é tão errado quanto qualquer outra coisa.
  O que realmente quero dizer, é que devemos tomar uma decisão radical que muda tudo na nossa vida: sermos verdadeiros cristãos, não apenas religiosos, mas como os de Atos, que são assim chamados por serem "cópias" de Cristo. Essa é uma decisão radical que faz bem para nós e para o mundo e nos levará não longe negativamente, mas muito além do que planejamos e sonhamos.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Crianças novamente

 Quem leu meus primeiros textos, sabe como gosto de crianças e do meu relacionamento com elas. Hoje vou escrever sobre outra experiência que tive com as crianças do meu estágio.
 Ontem foi a formatura das crianças do pré. Estava lá, muito orgulhoso de ver como "meus" pequenos se desenvolveram. A formatura começou com uma oração da Ágata, a mesma menina citada no meu outro texto sobre eles. Foi lindo ver a inocência e a sinceridade das palavras dela.
 "Senhor Jesus, que o Senhor abençoe agente e que o papai, a mamãe, todo mundo goste de tudo que agente vai fazer aqui. Em nome de Jesus amém."
 Foi mais ou menos assim a oração dela. Simples e sincera, mostrando o que realmente estava em seu singelo coração: a preocupação de que gostássemos do trabalho que se dedicaram tanto.
 Isso me fez repensar as minhas orações. Quantas vezes não oro apenas por orar? Sem sequer pensar no que estou falando ou fazendo, oro mecanicamente. Muitas vezes o passar do tempo faz com que percamos a razão do que fazemos.
 Depois desse dia é difícil orar da mesma forma que tenho orado nos últimos tempos, pois Deus mais uma vez fala a mim atravéz da simplicidade de uma criança.
 "Jesus, porém, vendo isto, indignou-se, e disse-lhes: Deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus."  Marcos 10:14

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Eta clima natalino!!!

 E depois de messes eu finalmente volto a postar aqui (eeeeeeeeeee - ou não).
 Vou falar de algo que muito me incômoda. Nessa época vemos um mundo totalmente diferente do normal. Com exeção dos judeus e os palestinos, todo o resto do mundo se abraça, prega o amor, a paz, a solidariedade etc.
 É lindo ver todo mundo se amando, mas o problema para mim é que isso não passa de hipocrisia muitas vezes. Damos presentes para as crianças de projetos sociais, comida para os mendigos, dizemos amar aos outros, mas após o dia 25, não olhamos na cara da caixa da padaria, não ligamos paras as crianças, expulsamos os mendigos. Toda a magia ficou na data.
 Isso ocorre porque as pessoas se prendem a datas, símbolos, tradições, religiosidades e sequer se lembram da razão real do natal. O nascimento daquele que veio nos salvar da morte eterna. Aquele que nos libertou de nossos próprios pecados.
 Não acho ruim o clima natalino, mas esse clima por si só não é nada. Como diz uma música do CD de natal do Roupa Nova: se agente é capaz de toda essa magia, agente podia fazer com que fosse natal todo dia.
 A única coisa errada nessa música é que não somos nós que causamos isso, mas sim a graça de Deus. Creio que a humanidade é capaz de viver esse clima, por mais que restrito, por estar mais aberta a Deus. Ele então se mostra ao mundo, mas passado esse período o mundo se fecha de novo.
 Se nos entregarmos realmente a Deus, com certeza o natal será todo dia em nossas vidas.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Casais alternativos I

 Na semana passada nossos ermanos argentinos aprovaram a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Esse tema tem despertado tanta polêmica que me levou a fazer algo que geralmente não faço: escrever sobre algo que está na moda. Sempre procuro temas que me despertam vontade de escrever, não assuntos da mídia, mas esse além conseguiu ser as duas coisas.
  Na TV não um programa que não discuta se o Brasil deve ou não legitimar essa união. Muitas pessoas tem dito que os "casais" gays tem o mesmo direito que os héteros, e devem poder assumir o estado de casados perante a lei,
 Acho meio complicado primeiramente chamar um par de homossexuais de casal, pois na minha concepção, casal não é igual a dupla. Dupla pode ser homem e homem, mulher e mulher, homem e mulher, mas casais sempre é homem e mulher.
 Bom, voltemos ao assunto, como será que a igreja deve se portar em relação a isso? Como a igreja tem tratado os homossexuais? Acho que não temos agido da maneira mais correta não é mesmo?
 A bíblia é clara no que dia respeito a sexualidade: Paulo em suas primeiras cartas à Timóteo e a igreja de Corintos, diz que a prática do homossexualismo é condenável, que é um pecado. Sendo assim, não há dúvidas de que quem confessa a fé cristã não deve aceitar essa prática, mas geralmente uma parte dessa história fica "esquecida".
 Segundo a bíblia, qualquer pegado pode ser perdoado, menos a blasfêmia contra o Espírito Santo. Ou seja, o homossexualismo é tão pecado quanto a mentira. Quem mente está tão errado quanto quem dorme com alguém do mesmo sexo. E geralmente os que não são homossexuais esquecem esse ponto e muitas vezes estes estão em mais pecados que aqueles, mas agem como se fossem superiores e mais puros.
 Por mais que seja errada essa prática, um homossexual é um ser humano como qualquer outro. Não posso maltrata-lo por fazer algo que não agrada a Deus, ainda mais quando também o faço, seja na área que for.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

To horrorizado!

 Aproveitando as férias, tenho ido a noite à igreja jogar um "futeba" com a galera, o que tem sido algo muito prazeroso. Mas não é esse o enfoque. Durante o tempo de espera entre um jogo e outro, conversava com dois amigos, quando um deles comentou sobre escandalizar pessoas com nossas ações.
 Tema curioso esse não? Muitas vezes esse é o motivo que pessoas na igreja usam para nos impedir ou proibir de fazer algo.
 Enquanto falava com eles, levantamos várias coisas sobre isso e esse assunto tem sido muito lapidado por meus neurônios. Muitas vezes desvirtuamos essa colocação que Paulo faz em 1 Coríntio 8. Usamos esse ponto a nosso favor. Você não gosta de rock e por isso diz que não é para ter isso na igreja porque escandaliza você, pois você diz que é do diabo. Isso é tão errado quanto a teologia da prosperidade, pois é um disvirtuamento da palavra.
 Uma coisa que me preocupa muito é no que as pessoas tem dado importância. Muitas vezes nos escandalizamos porque a menina esta com o umbigo aparecendo, mas não ligamos se a bancada evangélica está desviando verba pública, criticamos um menino que ouve metal e não nos ofendemos com um pastor que entra com dinheiro de modo ilegal nos EUA. Estamos mais preocupados com nossas vontades, nossos gostos à palavra de Deus, ao nosso testemunho.
 Muitas vezes as pessoas precisam de um choque. Um "escândalo" as vezes é necessário para acordar o povo, pois senão a igreja atrofia. Se todo escândalo fosse errado, creio que Deus não permitiria que Lutero fosse capaz de fazer a reforma que fez na igreja. Agora não posso negar que sair escandalizando o povo seja errado. Uma coisa é você dar a cara a tapa para mudar ou "evoluir" uma cultura, outra é você agredir.
 Uma pessoa que usa uma roupa provocante para agredir os outros está errada. As vezes temos intenções boas, mas fazemos de forma errada. Busque uma maneira mais amigável de mudar as coisas, como o diálogo, por essa coisa numa situação que só terá pessoas da sua idade. Você percebera que com o tempo ninguém mais se preocupara com isso e acabarão aceitando um dia, como foi o caso da bateria em tempos passados. Um método de confronto direto, deve ser o último recurso.
 Mas jamais use a desculpa de que você faz o que quer porque têm que mudar a mente das pessoas antigas, até porque elas não mudaram. As pessoas podem aceitar uma coisa, reconhecerem que estavam erradas, mas provavelmente continuarão a não gostar. Então procure não fazer diante das pessoas coisas que elas julguem erradas, por mais que você saiba que não são, procure ser agradável a todos, respeite-as, pois assim é possível que elas aceitarem o que você gosta por aceitarem você.

domingo, 4 de julho de 2010

Descartavel

 Realmente periodicidade não é o forte desse blog! Tenho postado realmente muito pouca coisa e acho que bati meu recorde de tempo sem postagem! Mas estou finalmente escrevendo aqui. To escrevendo sobre algo que estava pensando hoje. Tivemos lá na minha igreja, um culto da juventude, em comemoração ao dia do jovem e do adolescente presbiteriano. Isso me levou a pensar sobre essa nossa sociedade descartável.
 A geração a qual pertenço, cresceu num mundo totalmente consumidor, um mundo onde é pregado o consumo desenfreado. Esse consumo nos leva a descartar as coisas.
 Na minha infância ainda era comum se concertar alguns eletrodomesticos, mas hoje em dia não mais. Quando seu liquidificador quebra, você vai a loja e compra outro, nem pensa em arrumar o antigo.
 O que me intristesse na minha geração, é que tudo tem se tornado descartável, desde copos plásticos até relacionamentos. Tudo hoje em dia é mercadoria e como tal, pode ser trocado quando perde a utilidade.
 O problema é que pessoas não são mercadorias, são humanos, com sentimentos, relacionamentos não são um bem que tenho para meu prazer, são laços que crio com outrem. Tudo tem perdido significado para nós, por isso quando brigo com meus pais, vou pra casa da minha vó, quando meu casamento ta ruim, largo e caso com outra pessoa, quando meu amigo me irrita acabo a amizade e vou atraz de outra.
 "Nada mais importa a não ser o nosso desejo mesquinho. Tudo é bom para mim enquanto me traz prazer. Quando o prazer acaba descarto por algo novo."
 Só tem um problema: certa vez um homem disse assim: ame a seu próximo como se fosse você. Acho que esse nosso raciocínio vai em direção oposta as palavras que Cristo deixou para nós. Será que você queria ser descartável para os outros?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Recrutamento JVE

 No último final de semana, tive um privilégio imenso, participei do recrutamento do JVE (JV na Estrada).
 Foi uma experiência única, onde fiz coisas que nunca me imaginei fazendo diante de várias pessoas. Banquei o palhaço (esse sem muito sucesso kkk), animei a moçada, sendo que nesta ocasião, dancei o "armereition" diante da galera.
 Mas o que marcou, não foram os micos, as palhaçadas, o "futéba" ou o hamburguer as 2:00 hrs da madruga, mas sim como pude sentir Deus no meio disso tudo, da maneira mais natural, singela, suave e encantadora que poderia ter sentido. O simples conviver da gente mostrava a presença do Pai. Quase não abrimos a bíblia, mas a palavra estava em nós da mesma maneira.
 Isso me lembro de um texto de Atos que diz assim:  E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.  E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.  E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.  E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar. (At 2:42-47)
 Galera do JVE, obrigado por abençoarem tanto a minha vida.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Adeus Dn. Ana

 Venho hoje contar um pouco sobre a experiência que tive com minha vó. Peço desculpa pelo tamanho que esse post tem, mas é que estava precisando escrever.
 Para quem não sabe, minha vó faleceu na última quarta-feira. Foi uma semana bem tensa e difícil para a minha família. Meu pai e meu irmão ficaram imensamente abalados, sem chão. Foi bem difícil para mim também, até porque foi a primeira pessoa da família que perco que conhecia. Gostaria de deixar aqui um pouco da minha história, contar sobre meu relacionamento com ela.
 Durante a tenra infância, não sei como era a relação, pois não tenho lembranças, mas tenho alguns flashs da gente pescando em um sítio de um amigo deles. Mas foi uma relação bem tranquila de certa forma, claro que tinha uns atritos, uns desencontros. Os problemas começaram quando passei a ter consciência. Meus avós tinham mania de falar mal de todos, gostavam só do que ele faziam. Ficava extremamente irritado quando eles falavam mal das coisas que fazia, de como eles criticavam meus outros parentes. Essas coisas me machucavam muito.
 Só que tudo isso não era a pior parte. A parte que realmente me marcou negativamente na relação Rafael-Avós, foi o favoritismo explicito a meu irmão. Para mim o pior momento que tive com eles foi quando passei uma semana com eles, pois eles não curtiram minha estadia com eles, não houve para mim prazer, só mente comparações. Tudo que eu fazia eles vinham com aquela: Ah, mas o Thiago faz...
 Pais, avós, não façam comparações entre seus filhos, netos, sobrinhos etc. amem cada um de maneira única, pois são pessoas únicas, não ache que um é melhor que outro, são apenas diferentes. Respeite essas diferenças e você vai ver como o relacionamento melhora. Me senti muito desprezado com essas comparações e com a rejeição.
 Durante quase toda a vida não demonstrei isso, simplesmente tratava como algo que não me atingia, como se não ligasse e muita gente sequer sabia que no fundo isso me machucava demais. Mas nunca mostrei porque sempre me senti na obrigação de ser o forte, o inabalável. Talvez isso tudo me levou a ser imensamente racional.
 Algo que me assustou em mim mesmo, foi quando minha avó teve um coágulo no pulmão. Ela quase se foi e eu fiquei como se nada tivesse acontecido. Simplesmente estava frio no que dizia respeito a ela e a meu vô. Percebi que as coisas não estavam certas comigo. E fui até Deus pedir ajuda, pois como poderia estar assim? Era minha vó! Por mais coisas que pudesse haver entre nós, o amor entre nós não poderia estar morto assim.
 Deus moveu meu coração, tirou a pedra que lá estava e pôs um coração de carne em mim novamente. Aos poucos fui voltando a me importar com eles, a me preocupar, a ligar só pra saber como eles estavam. O que me deixou mais maravilhado com a graça de Deus é como ele me permitiu não ter um peso pelo resto da minha vida. Na segunda feira antes da morte dela, por alguma razão quis falar sério com Deus. Durante nosso papo, Ele moveu meu interior de uma maneira que depois de anos seco, chorei. Comecei a me abrir de verdade, ver as coisas que estavam erradas em mim, o que atrapalhava minha vida com o Pai. Durante esse dia, em meu coração, perdoei as coisas que minha avó fez que me machucaram de algum forma e passei a ver tantas coisas boas que eles me deram, tantos bons momentos que tivemos na infância, os banquetes que faziam para mimar todo mundo, porque um gosta de porco, o outro de peixe; um gosta de pé-de-moleque, o outro de arroz doce. Mas mais que essas coisas pequenas, quando olhava para traz, não pude deixar de ver como vovó servia a Deus. Como ela recebia os servos do Pai, como ela se dedicava de corpo e alma para Jesus e essa foi a maior herança, lição e exemplo que poderia ter recebido.
 Agradeço muito a Deus por te-la perdoado antes de sua morte, pois tenho certeza que se não o fizesse, teria um peço nas minhas costas hoje que não sei se o suportaria.
 Só posso terminar dizendo pra vocês amarem os seus, aproveitem cada momento, pois posso dizer que em quanto me permitir estar com eles sem pensar desavenças, foram momentos lindos. E posso dizer que agradeço a Deus por ter tido a vó que tive, pois parte do que sou hoje é por causa dela, como cristão e como gente.